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Família Tamanini

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Este Blog pertence a uma família de descendentes de imigrantes italianos trentini no Brasil. Somos brava gente construindo o futuro e resgatando o passado.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ENCONTRO DA FAMÍLIA RAIMUNDO E EMÍLIA - Apresentação "O Berrante"

ENCONTRO DA FAMÍLIA RAIMUNDO E EMÍLIA

Uma das apresentações do dia 10out2010
Vídeo caseiro, feito com aparelho de celular
Vídeo Evelyn (Curitiba - PR) - 4'56"

Apresentação e Texto: Cleto (Corbani) Tamanini
Narração: Lilian Tamanini
Imitação dos sons dos bichos: Lenira Tamanini e Bruno Tamanini com a ajuda da plateia
Berrante: Cleto (Corbani) Tamanini

O BERRANTE

_ Tic, tic, tic, tic ...

Era o tico-tico procurando o seu lugarzinho de dormir na tangerineira, anunciando a chegada da noite. Martelava sempre às dezoito horas no inverno e às dezenove no verão.
Além do tico-tico, outros pássaros indicavam as horas, e ainda a posição do sol e sua sombra. Por esses instrumentos mais fáceis e práticos é que os colonos se guiavam no tempo. Os relógios, de bolso ou de parede, eram bons, porém caros, por isso ficavam bem guardados em casa.

_ Cu-cu-ru-gu-u-u-u ...

Era o galo dourado às duas da madrugada.

_ Cu-cu-ru-gu-u-u-u ...

_ Codec, codec, codec ...

Eram os galos e as galinhas às cinco horas da manhã. Hora de levantar e ir para a roça.

_ Mu-u-u-u ...

_ Bé-é-é-é ...

Eram os animais, vacas e bezerros, que às seis horas, junto com o sol que despontava no horizonte, reivindicavam o seu trato.

Os trabalhadores roceiros, lá na serra, já com duas horas, três horas de roçado, saboreavam os esperados e gostosíssimos "bolinhos de graxa". Pança cheia, tocavam o serviço até ouvirem o berrante. Estipulavam até lá uma empreitada. Se às dez horas, pela sombra menor que o tamanho do corpo, a empreitada não tivesse rendido, o esforço era redobrado.

Corpo sem sombra, sol a pino, já era meio-dia. Não demorava ouvia-se o som do berrante, "il corno", como diziam os italianos, chamando para o almoço.

"Il corno", um chifre bastante grande, seu Raimundo guardou-o e usou-o a vida inteira. Anunciava quando o almoço estava pronto, comunicava visitas ou a necessidade dos que estavam na roça vir para casa.

Dona Emília usava-o diariamente para chamar para o  almoço. Ia até a varanda e com os pulmões cheios assoprava forte no berrante e saía um som audível até a mais de dois quilômetrosde distância. Os demais moradores também se guiavam com o apito do berrante ao meio-dia. Especialmente os que moravam no sentido norte, para onde o vento sul levava o belo e auspicioso som do berrante.

_ "Apita il corno che lé ora de disnar!"

_Bu-u-u-u-u-u-u-u-u-u-u-u-u ...

Obs.: O Berrante foi doado para o Museu Dona Emília

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